domingo, 1 de junho de 2014

O Tom de Adélia Prado



Como vão leitores?! Trago a vocês, dessa vez, o encarte do CD O Tom de Adélia (2000). Nele vocês vão encontrar os poemas do livro Oráculos de Maio. Quem ainda não teve a oportunidade de ouvir a própria Adélia lendo seus  poemas, não sabe o que está perdendo. Sua experiência com o teatro parece ter influenciado muito a maneira como ela prepara os textos a serem recitados. De dar inveja no Bandeira e no Drummond! Deixo com vocês o meu poema preferido: Neopelicano. Ah! E quem quiser contribuir com curiosidades, fique à vontade! Um grande abraço e até a próxima!

NEOPELICANO

Um dia,
como vira um navio
pra nunca mais esquecê-lo,
vi um leão de perto.
Repousava,
a anima bruta indivídua.
O cheiro forte, não doce,
cheiro de sangue a vinagre.
Exultava, pois não tinha palavras
e não tê-las prolongava-me o gozo:
é um leão!
Só um deus é assim, pensei.
Sobrepunha-se a ele
um outro e novo animal
radiando na aura
de sua cor maturada.
Tem piedade de mim, rezei-lhe
premida de gratidão
por ser de novo pequena.
Durou um minuto a sobre-humana fé.
Falo com tremor:
eu não vi o leão,
eu vi o Senhor!

(“Neopelicano”, Oráculos de Maio, p. 135)

2 comentários:

  1. Eu admiro muito a Adélia Prado, sensacional,...ela deixa bem claro que ama o que faz!!!
    Amei o seu blog!!!
    E fico agradecida por sua visita!
    Allê Monteiro

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  2. Que poema bonito! Muito legal! Continue postando mais sobre ela! Parabéns pelo trabalho!

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